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Saúde mental na gestação e no puerpério: a importância do acolhimento psicológico.

  • Foto do escritor: Raquel Boratti
    Raquel Boratti
  • 30 de mar.
  • 4 min de leitura

Atualizado: 17 de ago.

Ainda hoje, a maternidade é vista de forma idealizada em nossa sociedade. Como consequência, muitas mulheres se sentem culpadas quando experimentam sentimentos de tristeza, frustração ou ambivalência durante a gestação.


De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil apresenta uma das maiores prevalências de transtornos de ansiedade no mundo, sendo que a maioria dos diagnósticos de ansiedade e depressão ocorre em mulheres. Esse quadro pode se agravar durante a gestação e o puerpério.

Os principais transtornos mentais que podem acometer a mulher nesse período incluem a depressão pós-parto, a psicose puerperal, os transtornos de ansiedade e o baby blues.


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O baby blues é um estado transitório de humor depressivo que costuma surgir na primeira semana após o parto. Entre seus sintomas estão sentimento de culpa, desânimo, alterações no apetite, irritabilidade, tristeza, choro frequente e sensação de incapacidade para cuidar do bebê. Estima-se que essa condição acometa cerca de 80% das puérperas. Apesar de ser um quadro comum e geralmente passageiro, pode causar intenso sofrimento, que pode ser amenizado por meio do acolhimento, do compartilhamento de experiências e do suporte profissional.


A psicose puerperal é o transtorno mais grave que pode ocorrer nesse período, embora seja raro, é uma emergência psiquiátrica. Nesses casos, a mulher pode perder o senso de realidade e apresentar delírios e alucinações, sendo necessária intervenção imediata.


Durante a gestação e o puerpério, os pensamentos e preocupações podem se tornar intensos e difíceis de controlar. Transtornos de ansiedade, como o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), a Fobia Social, o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), o Transtorno do Pânico e o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), podem surgir ou se intensificar durante o ciclo gravídico-puerperal. As preocupações podem ser diversas e incluem sintomas como inquietação, dificuldade de concentração, alterações do sono, obsessões, compulsões e pensamentos intrusivos relacionados à saúde ou à morte do bebê.


A depressão pós-parto pode acometer entre 10% e 15% das mulheres. Além do sofrimento físico e psicológico materno, ela pode comprometer a vinculação entre mãe e bebê e interferir na qualidade dos cuidados oferecidos à criança.



Saúde mental materna: fatores de risco, proteção e impactos no bebê


A saúde perinatal refere-se ao período que abrange a gravidez e os primeiros meses após o nascimento. Este é um momento crítico na vida de uma mulher, em que as mudanças físicas, emocionais e sociais podem ter um impacto significativo na saúde da mãe e do bebê. A saúde perinatal não se limita apenas ao bem-estar físico, mas também inclui a saúde mental e emocional.


Alguns fatores aumentam o risco para o desenvolvimento de transtornos mentais nesse período, como tensão pré-menstrual intensa, dificuldade para engravidar, primeira gestação, maternidade solo, histórico de transtornos psiquiátricos, eventos estressantes, isolamento social e baixa autoestima.

Por outro lado, fatores como boa autoestima, relacionamento conjugal saudável, rede de apoio adequada e preparação física e psicológica para a maternidade funcionam como importantes fatores de proteção.

É importante destacar que os bebês também podem ser impactados pela depressão materna, uma vez que a qualidade dos cuidados pode ficar prejudicada e as respostas emocionais da mãe são percebidas pelo bebê desde os primeiros meses de vida.


Acompanhamento psicológico: um cuidado essencial na maternidade


Diante das inúmeras mudanças que ocorrem durante a gestação e o puerpério, o acompanhamento psicológico pode ser um importante recurso para auxiliar a mulher a atravessar essa fase de novas experiências, desafios e descobertas. A psicoterapia pode oferecer:

  • espaço de escuta e acolhimento, livre de julgamentos;

  • elaboração das mudanças relacionadas à maternidade;

  • manejo da ansiedade, dos medos e das inseguranças;

  • acolhimento da ambivalência e dos diferentes sentimentos que podem surgir nesse período;

  • fortalecimento da autoestima;

  • preparação emocional para o parto e o puerpério;

  • construção e fortalecimento da rede de apoio;

  • suporte diante das dificuldades de adaptação à maternidade.


A identificação precoce do sofrimento emocional é fundamental, e o acompanhamento psicológico pode contribuir para a promoção da saúde mental ao longo do ciclo gravídico-puerperal. Nesse período, a mulher precisa encontrar um espaço de cuidado, acolhimento e escuta, livre de julgamentos, que favoreça uma vivência da maternidade mais saudável e segura.


Quando procurar ajuda psicológica?


É importante buscar ajuda profissional quando sentimentos como tristeza, ansiedade, medo, culpa ou irritabilidade se tornam intensos ou persistentes, especialmente quando:

  • interferem no sono, na rotina ou nas atividades do dia a dia;

  • dificultam a construção do vínculo com o bebê;

  • geram sentimentos persistentes de incapacidade ou dificuldade para cuidar de si ou do bebê;

  • provocam sofrimento emocional significativo;

  • levam ao isolamento ou ao afastamento das pessoas próximas.


A Importância da rede de apoio


O apoio social é um fator crucial na saúde perinatal. Ter uma rede de apoio sólida pode ajudar as mães a enfrentar os desafios emocionais e físicos da gravidez. Isso pode incluir:


  • Família e Amigos: Ter pessoas próximas que possam oferecer ajuda prática e emocional é fundamental.

  • Profissionais de Saúde: Psicólogos, médicos e enfermeiros podem fornecer orientação e apoio durante a gravidez e o pós-parto.

  • Grupos de Apoio: Participar de grupos de apoio pode ajudar as mães a se sentirem menos sozinhas e mais conectadas.


Uma rede de apoio não significa apenas ter pessoas por perto. É importante que esse apoio seja efetivo e respeite as necessidades da mulher.



Raquel Boratti dos Santos Marchiori, psicóloga clínica e especializada em Psicologia Perinatal, com atuação voltada à saúde da mulher e às questões emocionais relacionadas à gestação, ao parto e ao puerpério.

Se você sente que precisa de apoio nesse período, conheça meu trabalho em Psicologia Perinatal e saiba como funciona o acompanhamento psicológico.



Referências


CANTILINO, A.; ZAMBALDI, C. F.; SOUGEY, E. B.; RENNÓ JÚNIOR, J. Transtornos psiquiátricos no pós-parto. Revista de Psiquiatria Clínica, São Paulo, v. 37, n. 6, p. 288-294, 2010.


FROTA, Cynthia Araújo; BATISTA, Camila de Araújo; PEREIRA, Rosa Irlania do Nascimento; CARVALHO, Ana Paula Costa; CAVALCANTE, Gabriel Lorran Freire;


LIMA, Sudário Vítor de Aguiar; SILVA, Caroline Natielle Rocha da; ARAÚJO, Luis Fernando Aguiar; SANTOS, Fernando Antonio da Silva. A transição emocional materna no período puerperal associada aos transtornos psicológicos como a depressão pós-parto. Revista Eletrônica Acervo Saúde, n. 48, e3237, 2020.


IACONELLI, Vera. Depressão pós-parto, psicose pós-parto e tristeza materna. Revista Pediatria Moderna, v. 41, n. 4, p. 210-213, jul./ago. 2005

 
 
 

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